CONEFE – Congresso Nacional de Educação Financeira nas Escolas

Ana Paula Pregardier (Intusforma) – “A Formação dos hábitos financeiros na idade escolar e o papel desempenhado pelo professor”

Vinicius Santos:Qual o papel do professor na educação financeira de uma criança que é mimada pelos pais, o que às vezes ocorre em famílias com filho único?

Palestrante: Ana Paula

Olá Vinicius, nada substitui ou anula o comportamento dos pais em relação à criança e esse é um fator que influencia. No entanto, o papel do professor na educação financeira das crianças é fundamental uma vez que o professor tem três aspectos nos quais geralmente acabam superando os pais.

1) Relação de tempo – Geralmente os professores acabam passando mais tempo útil (tempo em que a criança está desperta e em prontidão para o conhecimento e desafios) junto com a criança.

2) Relação de Espaço – Durante o tempo útil da criança o professor é o adulto referência que normalmente acaba passando mais tempo dividindo o mesmo espaço físico.

3) Relação de momento – Devido ao tempo que passa com a criança e ao espaço que divide, o professor é a pessoa com maior possibilidade de identificar os momentos decisionais-emocionais que impactam a criança.

Esses três elementos dão ao professor um grande campo de ação para atuar e desenvolver as premissas base de valores, consciência cidadania e responsabilidade, assim…

Mesmo que para nós não seja possível anular essa influência que os torna mimados, podemos utilizar esses três pontos de vantagem para trazermos uma consciência ética e responsável financeiramente para as crianças.

Vinicius, se eu puder ajudá-lo de alguma forma, não deixe de me procurar!

Andréia Morais:

Quais procedimentos e treinamentos os professores devem ter para saber educar financeiramente seus alunos? Qual o papel da escola neste treinamento?

Palestrante: Ana Paula

Andréia, existem hoje no mercado brasileiro uma série de opções de cursos, treinamentos e capacitações para professores. Uma sugestão interessante é conhecer vários antes de escolher um; essa sugestão pode ser útil pelo fato de que, embora educação financeira seja um tema específico, depende muito de quais os pressupostos o professor ou a escola considera como relevante na hora de escolher. Outra sugestão interessante é conhecer bem a ENEF – Estratégia Nacional de Educação Financeira; como essa é a medida federal que dá as diretrizes para a educação financeira, vale a pena conhecer um pouco.

Quanto ao papel da escola, essa é uma questão delicada, pois quando falamos de escolas particulares (como geralmente têm mais autonomia de ação que as escolas públicas), elas conseguem proporcionar essa capacitação dos professores, pois ter Educação Financeira  no currículo é além de um grande serviço de educação e cidadania, é hoje um argumento de diferenciação e no futuro possivelmente acabará sendo um requisito básico para toda a escola.

Quando falamos de escolas públicas a autonomia é menor, assim, uma das ações que tenho me deparado com frequência é quando as escolas levam a solicitação ao secretário(a) ou prefeito(a) e incluímos o treinamento no treinamento anual que os professores têm. E nesse caso, o fator ENEF é fundamental.

Espero ter respondido, mas se quiser explorar mais pontos estou à sua disposição.

Luana Mello:

Para quais séries seriam ideais aulas de educação financeira nas escolas?

Palestrante: Ana Paula

Olá Luana, segundo as fases de desenvolvimento psíquico, entre os 6 e 9 anos as crianças começam a formar seus ideais morais e éticos, assim, a partir dos 6 anos temos estudos sobre essa intervenção e a verificação dos impactos/resultados. No entanto, considerando que a formação do hábito pode começar muito antes é importante estar atento no entanto a “ordem de grandeza” do dinheiro (1, 10 ou 100) a criança começa a desenvolver só a partir dos 6 anos.

Assim, como tema transversal tratado diretamente é recomendável a partir do Fundamental I e tratado indiretamente (historinhas, conceitos, valores morais) esses desde muito pequenos já podemos educar financeiramente através da imaginação e sobre tudo do exemplo.

Claudio Gomes Barbosa:

Na exposição dos professores, direta e indiretamente, foi abordado aspectos da neurociência. Concordam que para a ‘educação financeira versus mudanças de hábitos’ se faz necessário estudar neuroeconomia na formação dos educadores financeiros?

Palestrante: Ana Paula Pregardier e Alvaro Modernell

Olá, Cláudio. A neuroeconomia ainda é um estudo bastante novo e está no estágio de evidenciar e descrever o caminho neuronal estimulado pelos comportamentos econômicos. Atualmente a maior parte dos estudos estão centrados em descrever qual a parte do cérebro é ativada, como ela se comporta, etc. Assim, é um conhecimento interessante, mas devido aos resultados alcançados até o momento, eu não poderia dizer necessário.

Quanto ao caso da neurociência, é de fato um conhecimento necessário para entendermos a formação de hábitos. No entanto, o estudo da neurociência por educadores financeiros é uma questão de escolha metodológica de trabalho. Falo de escolha metodológica de trabalho, pois nem todos educadores financeiros atuam da mesma forma e sob as mesmas premissas pedagógicas.

Sendo o hábito uma disposição humana, para aqueles que querem trabalhar a formação e mudança de hábitos, sugiro conhecer e estudar profunda e cientificamente tudo que envolve essa temática. Quando falamos de Hábitos, falamos não só de neurociência e sinapses neuronais, mas também de psicobiologia, psicologia do desenvolvimento, fases psíquicas e outras disciplinas.

Enfim, como disse anteriormente sobre a neurociência, ela não é uma necessidade absoluta para educadores financeiros, mas é uma necessidade se quiser falar sobre hábitos.

Diego Palmas:

Li que desenvolve sua pesquisa em outros países. Poderia falar um pouco sobre as diferenças e semelhanças dos cenários externos comparados ao Brasil?

Palestrante: Ana Paula

Olá Diego, a IntusForma tem a validação científica do seu método junto a Universidade Estatal de São Petersburgo – Rússia; isso quer dizer que por anos atuamos, medimos os resultados seguindo todos os pressupostos da ciência positivista e analisamos cada atuação. Hoje já são mais de 3 mil crianças onde registramos a atuação, os resultados e, com a autorização dos pais, levamos esses resultados registrados para a análise científica junto às autoridades responsáveis.

Explico isso, pois a questão de formação de hábitos é uma questão que envolve atuação e intervenção no dia a dia das crianças, por isso antes de podermos ter a autorização para realizar cientificamente (comercialmente sim é possível), mas para estudos científicos transculturais, precisamos primeiro ter a validação final da última etapa (as 3 primeiras validações científicas levaram 4 anos) que será realizada no 1 semestre de 2014.

Assim, espero muito em breve poder responder a sua pergunta e respondê-la com base em fatos e estudos, não apenas com a minha visão do assunto. Peço desculpas por não poder trazer essa resposta, mas estamos trabalhando para isso! Caso eu possa colaborar com alguma informação, podes me contatar. Meus contatos estão sempre disponíveis em todos os meios eletrônicos como o site ou Facebook da IntusForma, do Finanças é coisa de Crianças ou no meu Facebook que é Ana Pregardier ou o email: ana.pregardier@intusforma.com.br.

Para conferir a apresentação feita no evento clique aqui.

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